O verbo se fez carne – estudos no Evangelho de João

Texto introdutório ao Instituto de Preparação de Líderes 2019 (13 a 31 de janeiro – veja mais informações nas outras abas)

“Não tínhamos mácula nem tampouco contato com esse sepulcro que é o nosso corpo ao qual estamos ligados como a ostra à sua concha.” (Platão, In: Fedro, p.87)

“Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós…” (João 1:14, NVI)

“Vejam as minhas mãos e os meus pés. Sou eu mesmo! Toquem-me e vejam; um espírito não tem carne nem ossos, como vocês estão vendo que eu tenho. […] Deram-lhe um pedaço de peixe assado, e ele o comeu na presença deles.” (Lucas 24:39-43, NVI)

É incrível como uma ideia ou cosmovisão pode ganhar força e perdurar por séculos e mais séculos influenciando várias gerações e culturas. Os pensamentos de Platão, célebre filósofo grego, são um exemplo disso. Em seus escritos, ele afirma que a alma humana é essencialmente boa e, embora esteja momentaneamente aprisionada pelo corpo, carrega em si a reminiscência da pureza imaterial, ansiando por sua libertação desse cárcere físico. Para ele, toda maldade reside no aspecto físico da existência:

“Mas purificação não é justamente o que diz a tradição antiga? Separar o mais possível a alma do corpo, habituá-la a recolher-se e fechar-se em si mesma, alheia a qualquer elemento corpóreo, e a permanecer, tanto quanto possível, tanto na vida presente como na futura, só, inteiramente desligada do corpo como de suas cadeias?” (Platão, In: Fédon: Diálogos sobre a alma e morte de Sócrates, p.31)

Em oposição a Platão, tanto o judaísmo como o cristianismo afirmam que a matéria, por si mesma, não é má. Afinal, após ter concluído a obra da criação, “… Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom” (Gênesis 1:31, NVI). É verdade que com o surgimento do pecado e a queda da humanidade, toda a beleza e bondade da criação foram comprometidas. Não apenas a relação da humanidade com Deus foi afetada, mas também a nossa relação com o próximo e com toda a natureza criada.

A doutrina da total depravação aponta para o fato de que todas as partes da constituição humana – não apenas a sua dimensão física – foram corrompidas pelo pecado. Somos, segundo a Bíblia, pecadores por natureza antes de o sermos por atos. Mas em lugar algum a Bíblia diz que nossa natureza pecaminosa reside em nosso corpo ou em nossa materialidade. Tampouco as Escrituras afirmam que a salvação tem a ver simplesmente com nossas almas abandonando o corpo a fim de habitarem um céu espiritual longe desta terra física. Quem concorda com isso está crendo inadvertidamente num evangelho platônico.

Deus salva pessoas por inteiro e não apenas sua parte imaterial (alma, espírito etc.). É por isso que cremos na ressurreição do corpo, da qual Cristo foi as primícias (1 Coríntios 15:20). Se a matéria fosse má, como afirma o platonismo, Jesus não poderia ter encarnado, pois esse ato o corromperia. Mas ele assumiu um corpo humano tanto ao nascer quanto ao ressurgir dos mortos. É curioso observar que, em praticamente todas as narrativas após a ressurreição, Jesus comeu com seus discípulos para provar que não era apenas um mero fantasma camarada, mas uma pessoa de verdade – ou como dizemos: de carne e osso!

Jesus assumiu a forma humana para redimir-nos completamente do pecado. Ele não veio apenas salvar nossas almas, mas também nossos corpos. Aliás, sua obra abrange toda a criação,

“Pois foi do agrado de Deus que nele habitasse toda a plenitude, e por meio dele reconciliasse consigo todas as coisas, tanto as que estão na terra quanto as que estão nos céus, estabelecendo a paz pelo seu sangue derramado na cruz” (Colossenses 1:19-20, NVI).

É com a expectativa de compreendermos melhor as implicações da obra de Cristo para a dimensão física e corporal de nossa existência que escolhemos o tema “O Verbo se fez carne” para o próximo Acampamento de Verão (AV) e Instituto de Preparação de Líderes (IPL) da ABUB. Ambos os eventos acontecem em janeiro de 2019, na cidade de Campo Limpo Paulista (SP). Ali queremos nos debruçar diante do Evangelho de João e nos encontrarmos com a pessoa de Jesus Cristo, homem-Deus e Deus-homem. João era conhecido como “aquele a quem Jesus amava” (João 13:23, 19:26 e 21:7). Talvez isso explique a singularidade de seus registros sobre a vida de Jesus, pois o livro é cheio de narrativas sobre as experiências com ele.

No Evangelho de João, Cristo é apresentado como “o Verbo” (Logos), que enquanto divindade, está envolvido em cada aspecto da criação e que mais tarde torna-se carne a fim de tirar os nossos pecados como o cordeiro de Deus imaculado (João 1:29). Ele também relata os sinais ou as evidências milagrosas que Jesus operou a fim de nos convencer de que Jesus é o Cristo, o Messias, o Filho de Deus. Ele expressa essa verdade de diferentes maneiras no decorrer dos vinte e um capítulos.

Vocês, ipelenses e aventureiros, chegarão em Campo Limpo sabendo quem é Jesus, mas e a fé, vocês sabem o que significa? Em cada capítulo vamos procurar a resposta para essa pergunta. João afirmou que faria um relato sobre Jesus e que aqueles que cressem nessas verdades sobre ele nasceriam de novo e receberiam vida eterna. Em cada capítulo, além de nos desafiar a crer em seu argumento coeso e consistente sobre Jesus, João também nos mostra o que significa ter fé em Jesus.

Além disso, João registrou a afirmação de Jesus: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente” (João 10:10, NVI). Que tipo de vida plena é essa que Deus planejou para os cristãos? Vamos descobrir e entender tudo isso juntos?

Paralelamente aos estudos bíblicos, haverá palestras e oficinas com subtemas ligados ao corpo em suas várias esferas (alimentação, sono, lazer, sexualidade etc.).

ipl-arte-AT

Um ciclo de formação

O AV e o IPL 2019 fecham um ciclo trienal de formação na ABUB baseado nos eixos “Dinheiro, Sexo e Poder” (oriundos do livro homônimo do autor Richard Foster). Agradecemos a Deus por nos conduzir em cada etapa de reflexão e amadurecimento ao longo dos últimos três anos. Abaixo, relembramos os principais encontros regionais e nacionais da ABUB em que passos foram dados nessa jornada de formação:

Entre fevereiro de 2016 a janeiro de 2017 falamos de poder. No Congresso Nacional de 2016 ouvimos a denúncia contra os poderosos feita pelo profeta Miqueias sob o tema “Justiça, fidelidade, humildade”. Nos sete Cursos de Férias (CF) do mesmo ano vimos mais uma vez que Cristo nos liberta do poder do pecado nos fazendo “Livres, porém servos”. No AV e IPL de 2017 observamos atentamente as disputas de poder no início da monarquia de Israel conforme registrados nos livros de I e II Samuel e aprendemos que o Reino de Deus é o lugar “Onde os fortes não tem vez”.

Entre fevereiro de 2017 e janeiro de 2018, refletimos sobre dinheiro. No Encontro de 60 anos celebramos o aniversário da ABUB meditando a partir da carta de Filipenses sobre generosidade e obedecendo ao imperativo de Paulo: “Alegrem-se sempre”. Nos CF’s do mesmo ano, por sua vez, tivemos a oportunidade de refletir através do livro de Eclesiastes sobre a “Curta vida” que temos debaixo do sol e necessidade de desfrutá-la comunitariamente. Por fim, durante o AV e o IPL de 2018 mergulhamos juntos no Evangelho de Lucas a fim de descobrirmos quais são as “Riquezas reais” no Reino de Deus.

De fevereiro de 2018 a janeiro de 2019 estamos conversando sobre corporeidade, relacionamentos e sexualidade e, obviamente, os aspectos mais amplos que circundam este assunto. No Congresso Nacional, sob o tema “Mais forte que a morte”, adentramos na linguagem afetiva do livro de Cântico dos Cânticos de Salomão, a fim de percebermos juntos o contexto adequado para a fruição da sexualidade humana. Nos CF’s deste ano estudamos os sete pecados capitais juntamente com a carta aos Romanos perguntando-nos “Onde estão os justos?”. No AV e IPL de 2019, finalizando este eixo de formação, estudaremos o Evangelho de João e refletiremos sobre as implicações da obra redentora para nossos corpos sob o tema “O Verbo se fez carne.

Junte-se a nós participando presencialmente do AV e IPL, intercedendo para que Deus instrumentalize esses programas de modo que o caráter de Cristo seja formado em nós. Você também pode participar contribuindo financeiramente para viabilizar a participação de estudantes e obreiros nesses encontros!

 

Nilsa de Oliveira – Secretária de Formação

Natan de Castro – Secretário Adjunto de Formação

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